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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

FemAle na Estrada: Lumiar – Ninho de Guaxo


Semana passada consegui um espaço na agenda e fui, com o Ricardo Rosa, conhecer o Ninho de Guaxo, em Lumiar, na região serrana do Rio de Janeiro.
Há mais de um ano que a Geovanna e o Gustavo Ranzato nos convidaram para visitar a cidade e experimentar o chopp Ranz, mas ainda não tínhamos conseguido ir.
Chegamos em Lumiar na sexta-feira a noite e o Ninho de Guaxo já estava fechado. Acordamos cedo no sábado para aproveitar o dia e demos uma passada na loja para cumprimentar os donos. Já fomos recebidos com dois chopps deliciosos: um Pale Ale com lúpulo citra e um Tripel! Altina, mãe de Gustavo, que tem uma loja ao lado do Ninho de Guaxo, estava lá apoiando com as explicações sobre as cervejas e atenção aos visitantes.
A loja é linda! Super bem decorada, com vários artesanatos da região, um espaço só de cachaças e, claro, a cerveja e chopp Ranz!
Demos uma saída para curtir a cidade, tomar um banho de cachoeira e almoçar uma saborosa truta, no Bar Maria da Toca, ao lado da cachoeira Toca da Onça, num ponto imperdível, indicado pelo casal.
Final da tarde, retornamos para o Ninho de Guaxo, quando o Gustavo nos contou a história de lá.
Tudo começou cinco anos atrás, quando o Gustavo e a Geovanna resolveram abrir uma lojinha de artesanato. Era uma loja pequena, um pouco bagunçada e com bastante coisa, daí veio o nome Ninho de Guaxo. Eles já moravam em Lumiar há 3 anos, quando o Gustavo foi trabalhar com engenharia no local.
Um belo dia, um amigo do Gustavo comentou sobre a produção de cerveja caseira e ele se interessou. No final de 2009, participou do curso de produção de cerveja artesanal do Leonardo Botto e logo começou a produzir e vender a produção na loja de artesanato.
A cerveja fez tanto sucesso, que eles ampliaram o Ninho de Guaxo: colocaram algumas mesinhas do lado de fora, duas geladeiras (uma de copos e garrafas e uma customizada para chopp), montaram um cardápio com petiscos e partiram para a produção.
Atualmente, eles possuem 7 cervejas regulares: Weiss, Witbier, Light (lager), Tripel, Orgânica, Red Ale e Stout. E, de vez em quando, o Gustavo inova. Ele preparou a Lumiar Fantasy, edição especial para uma festa da cidade e também já fez Brown Ale e Rauchbier. Nesta semana, ele estava servindo, pela primeira vez, a excelente Pale Ale com que fomos recebidos pela manhã.
O negócio cresceu tanto, que a produção de 50 litros do Gustavo não tem dado conta da procura e ele está ampliando a cozinha de produção da cerveja para 250 litros.
Domingo, não resistimos e demos mais uma passadinha por lá. Experimentamos mais três cervejas: a Light, uma lager, seca, para atrair os novatos em cervejas especiais, a Witbier, bem característica, com coentro marcante e casca de laranja e a Rauchbier, com mais da metade de malte defumado, mas bastante equilibrada no sabor. Todas muito boas!
A cidade é aconchegante, as cachoeiras são lindas, as noites estreladas e o Ninho de Guaxo sensacional!!!
Parabéns a cervejaria Ranz pelo sucesso!
Voltaremos em breve!
Até a próxima!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A Pasárgada Alemã

Câmara Municipal antiga - símbolo da cidade de Bamberg

Na região da Baviera, a cerveja é considerada o quinto elemento, junto com a terra, água, ar e fogo. Lá fica a cidade de Bamberg, na região da Francônia.
Localização de Bamberg na Alemanha

A região cervejeira da Francônia (Bierfranken) tem a maior densidade de cervejarias, mais ou menos 300, por número de habitantes do mundo (quem terá coragem de discordar do título desse post?).

A cidade de Bamberg foi documentada pela primeira vez em 902 e manteve seu caráter medieval ao longo do tempo. Seu centro histórico foi reconhecido pela UNESCO como patrimônio mundial em 1993.

O EBCU (European Beer Consumers Union) declarou Bamberg como World Beer Heritage City (Cidade Patrimônio Mundial da Cerveja?). Com 10 cervejarias produzindo mais de 60 tipos de cervejas, 2 grandes maltarias (Weyermann Malz and Bamberger Mälzerei) e o Franconian Brewery Museum, pode-se dizer que a cidade tem bastante cultura cervejeira para os seus mais ou menos 75.000 habitantes.

Maltaria Weyermann

No início de maio ou fim de abril, as pessoas de Bamberg vão aos seus Bierkellers favoritos, que são a variação local dos famosos biergartens, e saboreiam seus primeiros barris de cerveja do verão.

Em 1972, foi fundado o "Franconian Beer Brewing Museum". Ele fica nas históricas grutas usadas como adegas de cerveja de um antigo monastério beneditino em Michelsberg.

Falando em Bamberg, logo vem à mente o estilo defumado, mas só 2 cervejarias (Schlenkerla and Spezial), das 10 de lá, fazem esse estilo.
A Schlenkerla, um exemplo do estilo rauch, é mais conhecida aqui no Brasil por sua Aecht Schlenkerla Rauchbier Märzen, mas também produz uma Rauchweizen e uma unsmoked Lagerbier, dentre outras. No fim do outono, também é feita uma Rauchbock (é duro fazer esses posts e não provar nada disso).

Produzindo rauch na Schlenkerla


Nas tavernas das cervejarias é usual compartilhar as mesas, ainda mais quando o lugar tá ficando cheio. Então, chegando lá e não havendo mesas vazias, pode ir sentando em qualquer lugar sem censura.

Taverna da Schlenkerla, uma das muitas da cidade


No Brasil, há uma microcervejaria em Votorantim, SP, que se chama Bamberg e produz 9 estilos de cervejas. Ela já tem 3 anos de idade, mas só agora lançou sua Rauchbier, que será devidamente degustada no nosso encontro.


A cerveja foi desenvolvida por Stefan Grauvogl, bier sommèlier e mestre-cervejeiro, que fez sua primeira cerveja aos 15 anos de idade, e trabalha atualmente na Maltaria Weyermann.

Ele veio pro Brasil em agosto desse ano só pra produzir a Rauchbier da Bamberg.

Estamos ansiosas por essa degustação, que terá como harmonização um jantar feito pelo super mestre cervejeiro Maurinho.

Um Brinde a essa noite que promete...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Os Biergartens da cidade de Bamberg, Alemanha

Sendo nosso próximo estilo o Rauch, iniciei já minhas pesquisas e descobri algumas coisas interessantes. Pra começar, uma rapidinha:
Bamberg tem a reputação de ser a 'Cidade da Cerveja' da Alemanha. Isso não só por suas 10 cervejarias, mas também pelos aconchegantes Biergartens, que lhe garantem essa posição especial.

A criação dos Biergartens acabou acontecendo por uma decisão do Rei Ludwig I da Bavária, que decretou que as cervejas só poderiam ser feitas durante o inverno, já que a fermentação deveria ocorrer a baixas temperaturas. Só que os cidadãos não queriam deixar de beber cerveja lager no verão. Então, os cervejeiros e cervejarias tiveram a idéia de construir grutas nas pedras das montanhas e estocarem lá suas cervejas (Bierkellers).
Para proteger as grutas do calor do sol, os cervejeiros espalhavam pedregulhos em cima das cavernas e plantavam castanheiros para proporcionar sombra.
Tudo começava no inverno

Ao subirem para pegar as cervejas, começaram a perceber que era mais agradável beber lá em cima do que no calor da cidade. Então, os Bierkellers passaram não somente a estocar cerveja, mas também a servir.

Bierkeller: criatividade das cervejarias e cervejeiros


O caso se espalhou rapidamente, e multidões de pessoas sedentas começaram a ir aos Bierkellers e Biergartens das montanhas, e lá foram instalando-se bancos e mesas. Cervejarias faziam filiais temporárias lá em cima e assim foi indo até que o Rei Ludwig I, a fim de dar uma vantagem competitiva aos restaurantes que não tinham suas próprias cervejarias, ou que não subiam com elas, proibiu de serem servidas refeições nesses bares temporários. Mas os cidadãos eram criativos, e começaram a levar pão, salsicha e queijo para comer nos Biergartens.

Hoje, os Biergartens são mais do que comuns e tradicionais, e servem comidas típicas e muita cerveja, mas a tradição de levar sua própria comida ainda se mantém


Biergarten em Bamberg

Ein Prosit!
Fontes: Amado Google e www.bamberg.de

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A mais antiga do mundo

No nosso segundo encontro foi degustado às cegas o estilo Weiss, ou Weizen, trigo, proveniente do sul da Alemanha.

Freistaat Bayern – Estado Livre da Baviera

Pesquisando sobre o assunto pra fazer minha apresentação, já que fiquei encarregada desse segundo encontro, descobri que a história da Weihenstephaner é muito legal.


Rótulo azul e branco, cores da bandeira da Baviera (ou Bavária em latim)


Em 725, o Cornestone Weihenstephan, francês, foi enviado como missionário a Freising, Alemanha, e lá fundou, junto com outros 12 monges beneditinos, o mosteiro de Weihenstephan.
Documentos de 768 comprovam que os proprietários da região que plantavam lúpulo tinham de ceder 10% da produção ao mosteiro, para a elaboração da bebida.


Plantação de lúpulo


Mas foi só a partir de 1040 que o abade Arnold obteve licença para a comercialização da cerveja, que já era fabricada há mais de 3 séculos.
Até 1463 o mosteiro sofreu 4 saques e destruições, sendo sempre reconstruído
Em 1803, a cervejaria foi estatizada, e em 1930 foi agregada pela Universidade Tecnológica de Munique, com controle pelo Ministério da Cultura e da Ciência da Alemanha, sendo hoje referência em estudos e formação de mestres cervejeiros vindos do mundo todo. Possui, também, um banco com aproximadamente 150 tipos de cepas diferentes.


Weihenstephaner é a cerveja feita em Weihenstephan.


O interessante nessa história é que o 1º Bispo de Freising, o cornestone de Weihenstephan, fundador do mosteiro, foi canonizado e hoje é conhecido como São Corbiniano.

Diz-se que ele, ao viajar para Roma em seu cavalo, deparou-se com um urso, que matou e devorou o eqüino (em janeiro de 2009 a gente tira o trema). O monge repreendeu severamente o urso e, como castigo, o fez viajar com ele, carregando sua bagagem, tarefa do cavalo até então. E assim chegaram ao destino.


Chegada a Roma


Caramba, um homem que fundou um mosteiro, e nele fez uma cerveja digna de aplausos, realmente merece virar santo.

Ein Prosit mit São Corbiniano!


(Fontes de texto e fotos: internet em geral)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

FemAle Carioca: mas e as Lagers?!

Não querendo cometer injustiça com as Lagers, explico nosso nome, que, além de ter tudo a ver com mulheres que degustam cervejas (female: fêmea, mulher, feminino, em inglês), também está super relacionado com a bebida, e não só com o tipo Ale.

O nome Ale, conhecido hoje por definir um tipo de fermentação, ou seja, quando as leveduras agem no topo do líquido, a temperaturas mais elevadas, realçando os sabores mais frutados, significava, na antiguidade, propriamente cerveja, pois a bebida resultante desse tipo de fermentação era a única conhecida na época.

Foto exposta no Museu da Cerveja, Blumenau/SC

Com o isolamento do fermento lager (cerevisia carlsbergensis) por Emil Christian Hansen, em 1883, acabou a cerveja ganhando mais uma classificação, quanto à fermentação, sendo dividida em Ale e Lager, como persiste até hoje.

Nosso nome, então, faz referência à cerveja de forma geral, e não a determinado tipo específico, até porque amamos todas as ales, mas, como mulher tem coração de mãe, nele cabem e moram todas as lagers também.

Ah! O complemento de FemAle? Dispensa comentários, né?! Fala sééério!

Um brinde!